Inocêncio Impissa diz que Chapo não é obrigado a explicar recuo na nomeação de Waldemar de Sousa
Porta-voz do Governo afirma que o Presidente da República tem competência para rever decisões de nomeação e não precisa necessariamente de apresentar explicações públicas sobre o recuo.

Inocêncio Impissa diz que Chapo não é obrigado a explicar recuo na nomeação de Waldemar de Sousa
O porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, afirmou que o Presidente da República, Daniel Chapo, não está obrigado a apresentar uma explicação pública detalhada sobre a decisão de recuar na nomeação de Waldemar Fernando de Sousa para governador do Banco de Moçambique.
A declaração surge depois de uma mudança inesperada na liderança do banco central, que aconteceu menos de 24 horas após a divulgação da nomeação de Waldemar de Sousa.
O economista havia sido indicado para assumir o cargo de governador, enquanto Felisberto Dinis Navalha tinha sido escolhido para a posição de vice-governador. A tomada de posse dos dois estava inicialmente prevista para 1 de Setembro.
Chapo revoga nomeação de Waldemar de Sousa
A decisão presidencial acabou por ser alterada antes da cerimónia de posse.
Os despachos que nomeavam Waldemar Fernando de Sousa e Felisberto Dinis Navalha foram posteriormente revogados, tendo a Presidência da República indicado a existência de “questões supervenientes” como fundamento para a alteração.
A expressão utilizada no comunicado oficial não apresentou, entretanto, detalhes sobre a natureza dessas questões.
Inocêncio Impissa defende decisão presidencial
Questionado sobre a necessidade de o Chefe do Estado explicar publicamente as razões que levaram à revogação das nomeações, Inocêncio Impissa defendeu que essa obrigação não existe necessariamente.
Segundo o porta-voz do Governo, as competências constitucionais atribuídas ao Presidente permitem-lhe tomar decisões relativas à composição e liderança de instituições do Estado dentro dos limites estabelecidos pela lei.
A posição de Impissa ocorre num contexto de crescente interesse público sobre os motivos que levaram à alteração da decisão presidencial.
Waldemar de Sousa chegou a ser anunciado como governador
Waldemar Fernando de Sousa foi oficialmente anunciado como novo governador do Banco de Moçambique em 31 de Agosto.
A nomeação foi acompanhada pela indicação de Felisberto Dinis Navalha para exercer as funções de vice-governador.
Os despachos presidenciais chegaram a estabelecer a nova composição da liderança da instituição e a tomada de posse estava prevista para a manhã de 1 de Setembro.
No entanto, a mudança acabou por não se concretizar.
Felisberto Navalha passa de vice-governador a governador
Na nova decisão, Daniel Chapo escolheu Felisberto Dinis Navalha para assumir directamente a liderança do Banco de Moçambique.
Navalha possui uma longa experiência profissional ligada ao banco central, onde trabalhou entre 1996 e 2022, tendo ocupado diferentes funções técnicas e de gestão.
Também exerceu funções académicas na Universidade Eduardo Mondlane, incluindo a direcção do Departamento de Estudos Económicos entre 2011 e 2017. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
Benedita Guimino é indicada para vice-governadora
Para a posição de vice-governadora, a Presidência indicou Benedita Guimino, antiga administradora do Banco de Moçambique.
A nova vice-governadora deverá integrar o Conselho de Administração da instituição e substituir o governador em situações de ausência ou impedimento.
A sua experiência anterior dentro do banco central foi apresentada como parte do novo arranjo de liderança.
O que aconteceu com a primeira nomeação?
A rápida alteração das nomeações levantou dúvidas e provocou discussão no espaço público.
Waldemar de Sousa foi anunciado para o cargo e, poucas horas depois, a decisão foi revogada. A Presidência justificou a mudança através da referência a “questões supervenientes”, sem apresentar publicamente, até ao momento, detalhes adicionais sobre essas questões.
É precisamente neste ponto que surge a discussão sobre se o Presidente deve ou não explicar as razões que levaram à reversão da decisão.
Governo diz que não existe obrigação de explicação detalhada
Inocêncio Impissa entende que não existe uma obrigação automática de o Presidente da República apresentar uma explicação pública detalhada sempre que uma decisão de nomeação é revista.
A posição do porta-voz coloca o foco nas competências constitucionais do Chefe do Estado e na possibilidade de alteração de decisões administrativas ou políticas quando surgem novos elementos.
Apesar disso, a ausência de uma explicação mais detalhada poderá continuar a alimentar perguntas sobre o processo que levou à revogação dos primeiros despachos.
Banco de Moçambique tem papel estratégico
A mudança acontece numa instituição com um papel central na economia moçambicana.
O Banco de Moçambique é responsável por funções fundamentais relacionadas com a estabilidade monetária e financeira do país, incluindo a condução das políticas monetária e cambial, a gestão das reservas externas e a supervisão do sistema financeiro.
Por isso, a escolha do governador do banco central é acompanhada de perto pelos sectores económico e financeiro.
Novo governador tem experiência no banco central
Felisberto Dinis Navalha chega à liderança do Banco de Moçambique depois de uma carreira de vários anos na instituição.
Durante o período em que esteve ligado ao banco central, desempenhou funções de natureza técnica e de gestão, antes de prosseguir também uma carreira académica.
A sua experiência interna poderá facilitar a continuidade das políticas e operações da instituição.
Mudança aconteceu em menos de 24 horas
Um dos aspectos que mais chamou atenção no episódio foi a rapidez da mudança.
Na segunda-feira, 31 de Agosto, Waldemar Fernando de Sousa foi anunciado como governador. No dia seguinte, a Presidência apresentou uma nova solução para a liderança do banco central.
O novo governador passou a ser Felisberto Navalha, enquanto Benedita Guimino foi indicada para a vice-governadoria. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
Questões supervenientes continuam sem esclarecimento público
A Presidência da República utilizou a expressão “questões supervenientes” para justificar a revogação dos despachos anteriores.
Até ao momento, essa formulação não esclarece concretamente quais foram os novos elementos que levaram à alteração da decisão.
A falta de detalhes deixa espaço para diferentes interpretações, mas qualquer explicação adicional deverá partir de fontes oficiais ou declarações dos intervenientes directamente envolvidos.
Nova liderança deverá assumir funções
Com a nova nomeação, Felisberto Dinis Navalha passa a liderar o Conselho de Administração do Banco de Moçambique.
A instituição deverá agora concentrar-se na continuidade das suas funções, enquanto a nova equipa de liderança inicia o exercício dos respectivos mandatos.
A alteração da composição da direcção do banco central encerra, pelo menos por agora, o processo de substituição iniciado com a primeira nomeação.
Debate sobre transparência deverá continuar
A polémica em torno da nomeação de Waldemar de Sousa deverá manter-se no espaço público, sobretudo devido à rapidez com que a decisão foi tomada e posteriormente revertida.
Por um lado, o Governo sustenta que o Presidente possui competência para rever as suas decisões. Por outro, permanece o interesse público em conhecer, com maior detalhe, quais foram as circunstâncias que determinaram a mudança.
Até que sejam divulgadas informações adicionais, as razões exactas que estiveram na origem do recuo presidencial permanecem sem esclarecimento público detalhado.
Fonte: Times de Todos / Presidência da República
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